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Coordenadora do Programa Parto Seguro, Anatália Basile fala sobre a episiotomia e violência obstétrica

Já há algum tempo a episiotomia está longe de ser uma unanimidade entre médicos e pacientes. Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveu uma ampla pesquisa que conclui que o procedimento é uma “prática frequentemente utilizada de modo inadequado”.
Coordenadora geral do Programa Parto Seguro, Dra Anatália Basile falou sobre esse procedimento, considerado em muitos casos como violência obstétrica.

O que é episiotomia?

Trata-se de um corte profundo e extenso na vagina para ampliação do canal vaginal. Como todo o procedimento cirúrgico deve ser realizada com o consentimento da mulher.

Por que existe atualmente o interesse na mudança de cultura de reduzir o grande número de realizações dessa técnica?

O principal motivo é que as evidências cientificas demonstram que o procedimento  episiotomia de rotina não é necessário, além de ser considerado prejudicial e ineficaz. Seu uso liberal ou rotineiro deve ser abandonado.

A mulher, durante o pré-natal, pode informar a equipe para que não seja feita a episiotomia?

Sim. Hoje já não há mais unanimidade para realização desse procedimento entre os profissionais e muitos já abandonaram essa prática de rotina. No momento do parto, a mulher deve expressar seu desejo pela não realização da episiotomia.  Além disso, ela deve ficar a vontade  para escolher a posição no parto que se sentir mais confortável. Muitos hospitais públicos e particulares já oferecem essa possibilidade.Que  é um direito da mulher assegurado por lei.

Quais podem ser os prejuízos desse procedimento na vida pessoal e sexual da mulher?

Esta prática de rotina em serviços públicos e privados, realizada sem indicação constitui em uma""mutilação da genitália"" feminina. O procedimento episiotomia é um trauma em si, o que  não justifica sua utilização para a  prevenção de outro trauma. Estudos de revisão sistemática da Biblioteca Cochrane atualizada, (ONG mundial que revisa publicações da medicina), apontam que episiotomia  aumenta a dor pós parto, a perda sanguínea, a frequência de infecções, edema e hematoma.

Existe a crença popular de que “Se não cortar por cima, na cesárea, corta-se por baixo, no parto normal, o que ainda vem acompanhado de contrações"". Como desmistificar este pensamento?

O corpo da mulher foi criado com a possibilidade de procriar. Entretanto, a cultura da cesárea e da episiotomia fez com que muitas mulheres desacreditassem do parto normal. Isso trouxe o medo, a fragilidade e permitiu que se colocasse esse momento unicamente na responsabilidade de um profissional.  Transformando o corpo feminino em incapaz de passar pelo processo normal de parto. Resgatar a cultura do parto normal é enxergá-lo como algo natural. Sentir contrações não é nada mais do que a comunicação do corpo da mulher com seu feto, informando que está na hora de nascer.

Como, diante desses e outros fatos, convencer a mulher a optar pelo parto normal? Ouvimos tanto sobre a redução da violência obstétrica, no entanto, o parto normal, parece facilitar tal ato.

A ausência de informação já é uma violência obstétrica. Quando um falso diagnóstico recomenda uma cesárea também é uma violência que priva o corpo da mulher de viver essa experiência. A violência deve ser combatida tanto no parto normal, como no parto cesáreo. O importante é o profissional passar segurança. O que a mulher nesse momento deseja é sentir-se cuidada e bem tratada, a técnica ela acredita que o profissional tem e aceita a recomendação. Nas universidades deve-se trabalhar a forma de relacionamento com a gestante no momento do parto e fortalecer os profissionais no modelo de assistência humanizada. Afinal, estar ao lado no trabalho de parto é a essência da obstetrícia.

Foto: Dra. Anatalia Basile é doutora pela Universidade Federal de São Paulo com estudo clínico randomizado “riscos e benefícios maternos e neonatais das posições lateral-esquerda e vertical semi -sentada no parto”.

 


Data de Publicação: 23/04/2015

Fonte: Luciana Zambuzi - Assessoria de Imprensa CEJAM e Milena Ramos - Assessora de Comunicação e Imprensa da Autarquia Hospi