Entrevista: Dr. Gustavo Kuhlmann fala sobre o SAMU

 

Há 30 anos, o cirurgião vascular Gustavo Guilherme Kuhlmann se apaixonou pela urgência e emergência. Atualmente, é Coordenador Médico do Serviço de Atendimento Móvel às Urgências e é membro do Conselho de Administração do CEJAM.

 

O CEJAM e o SAMU possuem em sua história um personagem em comum. Conte um pouco desta história para nós.

 

Em 1979, o Dr. Fernando Proença já tinha idéia do que era o APH , sigla que significa Atendimento Pré Hospitalar. Quando ele era Secretário de Saúde, ele começou um projeto que se chamava “Cura Jabaquara”. Este foi o primeiro sistema em São Paulo pensando no atendimento de acidentes com múltiplas vítimas.

 

E como começou o seu trabalho com Atendimento de Urgência e Emergência?

 

Eu entrei no Hospital Jabaquara em 1981. Em 86, passei a ser diretor deste hospital, também indicado pelo Dr. Proença. Era um Hospital ótimo, muito bem equipado. O começo deste trabalho foi muito bom, tudo bem implantado, por isso acreditei muito neste Projeto. Nesta época também montamos um “grupo de atendimento a acidentes de grandes proporções e calamidades”, que existe até hoje.

 

O Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU), que está nas ruas hoje, foi implantado em que ano?

 

Em 2003, o Ministério da Saúde criou o SAMU. Em São Paulo este tipo de atendimento já acontecia, pois o APH já estava funcionando no Município. Quando começou o SAMU, como Programa do Ministério da Saúde, ele começou a se aperfeiçoar.

 

Qual foi a evolução deste Serviço desde então?

 

Aumentamos muito. Em 2003, quando o SAMU foi implantado, nós tínhamos 33 ambulâncias. No final de 2011, tínhamos 155 ambulâncias e, em breve, colocaremos mais 30 ambulâncias nas ruas. Destaco também a parceria com o Corpo de Bombeiros. Atualmente, trabalhamos como uma rede integrada.

 

Qual o Modelo de Atendimento do SAMU?

 

Utilizamos um sistema de triagem usado em todo mundo, a Classificação de Atendimento, em níveis, adaptada ao SAMU. Em média, atendemos 9 mil ligações por dia, que resultam em 1.200 saídas de emergência. As primeiras orientações são passadas pela nossa Central de Atendimento. A primeira pergunta é: a vítima está respirando? É muito fácil para o usuário diferenciar se a pessoa que precisa de atendimento está ou não respirando. É isso que vai caracterizar a emergência e o tempo de atendimento.  

 

Seu maior desejo para o SAMU?

 

O meu maior sonho é que possamos atender o maior número de casos possível. Desejo que o SAMU possa um dia atender tudo. A porta de entrada para o serviço de saúde deve ser o SAMU. Ninguém, em uma situação de emergência, deveria chegar ao Hospital por um meio que não seja pelo SAMU. Independente da gravidade, da situação financeira, etc.

 

O que o profissional da Atenção Básica pode contribuir para o Atendimento em Urgência e Emergência?

 

O CEJAM realiza um trabalho fundamental neste sentido que é a capacitação em Suporte Básico de Vida. Claro que uma Unidade Básica de Saúde não é a porta de entrada para este tipo de atendimento, mas, às vezes, pode acontecer e devem existir profissionais preparados para isso.

    

 


Data de Publicação: 24/08/2012

Fonte: Luciana Zambuzi- Assessoria de Imprensa CEJAM