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23 de Outubro de 2026
Foto: Magnific
A saúde bucal vai muito além de exibir um sorriso esteticamente agradável ou prevenir cáries. Segundo estimativas atualizadas da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 3,7 bilhões de pessoas no mundo convivem com doenças bucais, e mais de 1 bilhão apresentam periodontite grave. Longe de ser um problema restrito à cavidade oral, a inflamação crônica dos tecidos de suporte dos dentes pode contribuir para a disseminação de bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea. “Muitas pessoas ainda enxergam a boca como uma estrutura isolada, mas ela está integrada à saúde geral. A inflamação gengival crônica pode estar associada a alterações inflamatórias sistêmicas, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento”, explica Dra. Fernanda Cardoso, cirurgiã-dentista e gerente do CEO II Vera Cruz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM.
Uma das conexões mais bem documentadas é a relação bidirecional entre a doença periodontal e o diabetes. Conforme dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e da Sociedade Brasileira de Periodontologia (SOBRAPE), pessoas com diabetes descompensado apresentam risco de duas a três vezes maior de desenvolver inflamações gengivais severas. Em contrapartida, a infecção na gengiva dificulta o controle glicêmico, liberando substâncias inflamatórias que elevam a resistência à insulina. Estudos indicam que o tratamento periodontal adequado pode reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c) em cerca de 0,40%, um impacto metabólico relevante para o manejo da doença.
Uma das conexões mais bem documentadas é a relação bidirecional entre a doença periodontal e o diabetes. Conforme dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e da Sociedade Brasileira de Periodontologia (SOBRAPE), pessoas com diabetes descompensado apresentam risco de duas a três vezes maior de desenvolver inflamações gengivais severas. Em contrapartida, a infecção na gengiva dificulta o controle glicêmico, liberando substâncias inflamatórias que elevam a resistência à insulina. Estudos indicam que o tratamento periodontal adequado pode reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c) em cerca de 0,40%, um impacto metabólico relevante para o manejo da doença.
No sistema cardiovascular, o mecanismo inflamatório também desperta atenção. Bactérias presentes no biofilme dental e na gengiva inflamada podem atingir a corrente sanguínea e elevar marcadores como a Proteína C-Reativa (PCR), favorecendo a disfunção endotelial e o processo de aterosclerose (acúmulo de placas nas artérias). Embora a literatura científica trate essa relação como uma associação epidemiológica e não como uma causalidade direta única, o controle das infecções bucais é reconhecido por órgãos como o Ministério da Saúde como um importante aliado na promoção da saúde e controle de fatores de risco relacionados aos agravos cardiovasculares.
Impactos na qualidade de vida e sinais de alerta
Além dos desdobramentos metabólicos e vasculares, problemas bucais comprometem diretamente a alimentação e o bem-estar diário. A perda dentária, dores na mastigação e infecções não tratadas limitam o consumo de alimentos nutritivos, como carnes, grãos, frutas e vegetais frescos. Com o tempo, essa restrição alimentar involuntária pode resultar em deficiências nutricionais e perda de massa muscular, situação comum entre idosos. Somam-se a isso prejuízos na fala, distúrbios do sono e o isolamento social decorrente do constrangimento com o mau hálito ou a estética do sorriso.
Sinais aparentemente inofensivos e muitas vezes negligenciados pela população devem servir de alerta para a busca por avaliação profissional. Sangramento ao escovar os dentes ou passar o fio dental, gengivas avermelhadas, mobilidade nos dentes e dor ao mastigar não são condições normais. “O sangramento gengival nunca deve ser visto como algo normal; ele é o primeiro sinal de que a gengiva está inflamada. Esperar sentir dor para procurar o dentista é um erro comum que pode custar a perda do dente, já que a periodontite progride de forma silenciosa e indolor nas fases iniciais”, alerta a doutora.
Prevenção e cuidado integrado na Atenção Primária
A prevenção eficaz baseia-se na rotina diária de higienização, com escovação adequada e uso do fio dental, alimentação equilibrada e consultas regulares ao cirurgião-dentista. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a integração das equipes de saúde bucal na Atenção Primária desempenha um papel estratégico ao conectar o atendimento odontológico ao acompanhamento de pacientes com hipertensão, diabetes ou idosos.
Essa atuação conjunta fortalece o diagnóstico precoce e a abordagem multiprofissional. “Quando os profissionais que acompanham a pessoa com diabetes atuam em conjunto com a equipe de saúde bucal, o cuidado se torna mais completo. O futuro da saúde passa indispensavelmente pela integração entre as diferentes especialidades, enxergando a pessoa de forma completa”, conclui.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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