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Saúde

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18 de Janeiro de 2021

Campanha Janeiro Roxo alerta sobre importância do diagnóstico e tratamento precoce da hanseníase

Promovida desde 2016 pelo Ministério da Saúde, a campanha Janeiro Roxo conscientiza toda a população brasileira a respeito da hanseníase. A doença infecciosa é conhecida e reportada há milhares de anos – sendo anteriormente conhecida como lepra – e, apesar dos esforços para erradicá-la, ainda concentra cerca de 30 mil novos casos por ano no Brasil.

O país, inclusive, ocupa a segunda posição no ranking mundial de países com maior número de casos, atrás apenas da Índia. Somente nas Américas, os brasileiros representam 90% dos pacientes diagnosticados com a doença.

De acordo com Flávia Rosalba, dermatologista do Hospital Dia Campo Limpo, unidade sob gestão do CEJAM, algumas situações podem justificar o aumento de casos, fazendo com que o Brasil ocupe essa posição no ranking mundial.

“O diagnóstico tardio da doença, a falta de capacitação técnica de profissionais de saúde, a negligência geral com a doença e o fato de ser uma doença mais frequente em populações menos privilegiadas estão entre as causas para o aumento. Esses indivíduos vivem em situações desfavoráveis, com condições de habitação e alimentação precárias e, geralmente, escasso acesso à saúde e informação”, explica a médica.

Ao conscientizar a população, a campanha Janeiro Roxo chama a atenção também para o fato de que o diagnóstico da hanseníase é clínico e epidemiológico, o que significa que o mesmo só é possível diante da manifestação de sintomas. O diagnóstico precoce permite o início imediato do tratamento, interrompendo a transmissibilidade (capacidade de contágio) em relação ao paciente tratado.

Segundo a especialista, o mais importante é que a população conheça os sintomas mais comuns (como manchas na pele) e busque atendimento médico precocemente, para, assim, ter um diagnóstico na fase inicial da doença. O período de incubação (tempo entre a contaminação e apresentação do quadro clínico da doença) pode variar de 6 meses a 5 anos.

“A campanha é importante para que a doença deixe de ser negligenciada, ampliando o conhecimento da população sobre seus sinais e sintomas. A hanseníase tem cura e o tratamento é disponibilizado gratuitamente no SUS ”, destaca a dermatologista.

“É importante esclarecer que não há necessidade de nenhuma medida higienista em relação à doença, desde que iniciado o seu tratamento, como separar copos, pratos e talheres, ou isolar o paciente”, complementa.

Tratamento e diagnóstico

O tratamento atual contra a hanseníase é feito com antibióticos, que devem ser tomados via oral, tornando o doente praticamente não contagiante a partir da primeira dose das medicações recomendadas.

“É imprescindível que o uso da medicação respeite as indicações da equipe de saúde, sem interrupções. As pessoas que residem junto com o doente devem ser avaliadas pela equipe de saúde, pois a transmissão pode ocorrer antes do início do tratamento. Ter uma vida ‘normal’ depende do estágio da doença no momento do diagnóstico. Infelizmente, é comum o diagnóstico tardio e já com sequelas limitantes”, afirma a médica.

O diagnóstico precoce da hanseníase é essencial para a prevenção de incapacidades do paciente. A evolução da doença leva a lesões incapacitantes tais como dormência, perda de sensibilidade tátil e térmica, perda de força nas mãos, cegueira, entre outras, bem como desfiguração e amputação de membros.

“Além disso, o diagnóstico precoce também ajuda a controlar a transmissibilidade da doença, visto que o atraso no diagnóstico aumenta a exposição e o contágio das pessoas de convívio”, ressalta.

A hanseníase é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae e atinge principalmente braços, mãos, pernas, pés, rosto e orelhas, ocasionando manchas esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas na pele.

Seus principais sintomas são, entre outros:

- Manchas avermelhadas, amarronzadas ou esbranquiçadas na pele;
- Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face;
- Alteração de sensibilidade na pele;
- Sensação de formigamento;
- Queda de pelos e cabelos;
- Dor e sensação de choque;
- Pele seca e falta de suor;
- Febre, edemas e dor nas juntas.

Segundo a especialista, é importante ressaltar que o contágio da hanseníase não é feito de forma hereditária. “A transmissão da doença é feita exclusivamente por pessoas contagiadas, sem tratamento, através de tosse, espirro e fala. Ou seja, pessoas em tratamento não transmitem a doença”, finaliza.

Fonte: Imprensa, Criação & Marketing

Janeiro Roxo Hanseníase

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