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28 de Abril de 2026

Brasil mantém taxa elevada de cesarianas e reacende debate sobre parto normal: obstetra explica o que acontece durante o processo

Foto: Freepik

O Brasil segue entre os países com maiores taxas de cesarianas no mundo, segundo dados recentes do Ministério da Saúde, que apontam que mais de 55% dos partos no país ocorrem por via cirúrgica, número muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O cenário tem impulsionado discussões sobre o parto normal, especialmente em torno de um dos principais fatores que influenciam a decisão das pessoas gestantes: a dor.

Mas, afinal, o que acontece no corpo durante o trabalho de parto e por que ele é doloroso?

Para esclarecer essas dúvidas, o obstetra Pedro Melo, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro, explica que trata-se de um processo fisiológico complexo e que envolve mudanças progressivas no corpo para permitir o nascimento do bebê.

“O trabalho de parto é marcado principalmente pelas contrações uterinas, que são movimentos involuntários do útero responsáveis por promover a dilatação do colo do útero e a descida do bebê pelo canal de parto. Essas contrações são o principal motivo da dor, mas também são essenciais para que o parto aconteça de forma natural”, afirma.

O que caracteriza o trabalho de parto

De acordo com o especialista, o processo se inicia quando as contrações passam a ter ritmo, intensidade e frequência regulares, provocando alterações no colo do útero. Antes disso, muitas gestantes podem apresentar contrações irregulares, conhecidas como pródromos, que não indicam ainda o início da fase ativa.

“Esse é um ponto importante porque, muitas vezes, a chegada à maternidade ocorre ainda em fase inicial, o que pode gerar ansiedade e intervenções desnecessárias”, explica.

As fases do parto

O processo é dividido em três fases principais. A primeira é a dilatação, considerada a mais longa, em que o colo do útero se abre gradualmente até atingir cerca de dez centímetros. Essa etapa pode durar várias horas, especialmente em gestantes de primeira viagem.

Na sequência ocorre o período expulsivo, quando a dilatação está completa e o corpo começa a fazer força para ajudar na saída do bebê. É um momento mais intenso, porém geralmente mais curto. Por fim, vem a dequitação, que corresponde à saída da placenta após o nascimento.

“A duração do trabalho de parto pode variar bastante de pessoa para pessoa. Não existe um tempo padrão rígido, e respeitar esse ritmo individual é um dos pilares da assistência adequada”, destaca o obstetra.

Por que o parto dói

A dor tem origem multifatorial. Além das contrações uterinas, há a distensão do colo do útero, da vagina e dos tecidos do períneo, bem como a pressão exercida pelo bebê nas estruturas da pelve.

Dr. Melo ressalta que fatores emocionais também influenciam diretamente essa percepção. “Medo, ansiedade e tensão podem intensificar a dor. Por outro lado, quando a pessoa se sente segura, acolhida e bem orientada, a experiência tende a ser mais controlável”.

Humanização como aliada no manejo da dor

As estratégias de humanização do parto têm papel fundamental. Elas não eliminam necessariamente a dor, mas contribuem para mais autonomia e conforto durante o processo.

Entre as práticas adotadas estão a liberdade de posição, o uso de métodos não farmacológicos para alívio, como banho morno e exercícios com bola, além da presença de um acompanhante.

“A humanização não significa ausência de assistência médica, mas sim uma condução baseada em evidências, respeito às escolhas e intervenções apenas quando realmente necessárias”, explica o obstetra.

Ele reforça que o acesso à informação de qualidade é um dos principais caminhos para reduzir o medo em torno do parto normal. “Quando a pessoa gestante entende o que está acontecendo com o próprio corpo, ela se sente mais preparada. Isso muda completamente a forma como esse momento é vivenciado”, conclui.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

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