Aguarde...

Saúde

Saúde

03 de Julho de 2026

Comer no automático: como pular refeições e jantar tarde podem aumentar o risco de diabetes

Foto: Magnific

O diabetes tipo 2 vem crescendo no Brasil. Dados divulgados em 2025 pela Vigitel, sistema de monitoramento do Ministério da Saúde, mostram que o percentual de adultos diagnosticados com diabetes passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024 nas capitais brasileiras.

Segundo a Dra. Maria Penha, endocrinologista do CEJAM, o problema não está apenas no excesso de açúcar, mas na soma de comportamentos cotidianos, que afetam o funcionamento hormonal do organismo ao longo do tempo.

“Quando a pessoa fica muitas horas sem comer, o corpo entende aquilo como uma situação de alerta. Há liberação de hormônios ligados ao estresse e o organismo passa a trabalhar para preservar energia. Depois, quando acontece uma refeição muito grande ou rica em carboidratos simples, ocorre um pico importante de glicose no sangue e o pâncreas precisa produzir grandes quantidades de insulina rapidamente”, explica.

Esse movimento repetido diariamente favorece a resistência à insulina, condição em que as células passam a responder com menor eficácia ao hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Como consequência, o organismo produz cada vez mais insulina para tentar manter o equilíbrio glicêmico, aumentando o risco de diabetes tipo 2 ao longo dos anos.

A endocrinologista afirma que muitos hábitos considerados normais contribuem silenciosamente para esse processo. Pular o café da manhã, passar o dia apenas com café, almoçar muito tarde, substituir refeições completas por alimentos ultraprocessados e jantar próximo da hora de dormir são alguns exemplos frequentes.

“Sono ruim, estresse crônico, alimentação irregular, obesidade e sedentarismo têm impacto importante. A obesidade, inclusive, é um dos principais fatores ligados tanto ao desenvolvimento quanto à dificuldade de manejo do diabetes tipo 2”, ressalta a especialista.

Ela destaca que as Diretrizes 2025 da Sociedade Brasileira de Diabetes reforçam que a redução do peso corporal melhora o controle glicêmico, aumenta as chances de remissão da doença e deve ser um objetivo permanente no tratamento. O horário das refeições também merece atenção, pois estudos indicam que o organismo apresenta menor eficiência na metabolização da glicose durante a noite.

Além disso, depois de muitas horas sem comer, há maior tendência a episódios de compulsão e escolhas alimentares impulsivas, geralmente ricas em açúcar, gordura e produtos ultraprocessados.

Outro comportamento cada vez mais comum é o chamado “comer automático”. Fazer refeições trabalhando, mexendo no celular ou sem pausas adequadas dificulta a percepção de fome e saciedade.

“O cérebro e o metabolismo precisam de certa previsibilidade. Quando a alimentação acontece sempre de forma desordenada, o corpo permanece em estado constante de adaptação e isso interfere diretamente na ação da insulina”, frisa Dra. Maria.

O estresse também ocupa papel central nesse cenário. A liberação contínua de cortisol, hormônio associado à tensão e à privação de descanso, aumenta a produção de glicose pelo fígado e pode levar ao acúmulo de gordura abdominal, combinação ligada ao desenvolvimento de alterações metabólicas.

Apesar do cenário preocupante, especialistas reforçam que a prevenção não depende de mudanças radicais. Pequenas adaptações já ajudam a reduzir riscos. Manter horários minimamente regulares para comer, evitar longos períodos sem alimentação, priorizar alimentos naturais, incluir fibras e proteínas nas refeições e respeitar o sono são medidas importantes para preservar a saúde.

“Diabetes não surge de repente. Ele costuma ser resultado de pequenos desequilíbrios repetidos diariamente durante muitos anos. Por isso, olhar para a rotina alimentar com mais atenção é uma das formas mais importantes de prevenção”, orienta a endocrinologista.

Linha de cuidado fortalece prevenção e acompanhamento contínuo

O enfrentamento do diabetes passa pela organização da rede pública de saúde para atuar antes que a doença apareça ou se agrave. Nas unidades administradas pelo CEJAM, a Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa Diabética busca ampliar a prevenção e garantir acompanhamento contínuo para pacientes.

De acordo com Luciana Carvalho, gerente da URSI Campo Limpo, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e gerenciada pelo CEJAM, a atenção primária tem papel central nesse processo.

“As equipes orientam sobre a importância de manter uma alimentação equilibrada, respeitando horários das refeições e priorizando alimentos in natura e minimamente processados. Muitas vezes, as pessoas não percebem como hábitos da correria do dia a dia aumentam o risco para doenças crônicas como o diabetes.”

A estratégia envolve grupos educativos, atendimentos multiprofissionais e ações comunitárias voltadas à conscientização sobre alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse. O objetivo é ajudar a população a reconhecer comportamentos que favorecem alterações metabólicas antes do surgimento de complicações.

Luciana explica que a integração entre UBSs e outros pontos da rede permite identificar precocemente fatores de risco como obesidade, hipertensão e alterações glicêmicas, garantindo encaminhamento e monitoramento contínuo quando necessário.

Outro foco da Linha de Cuidado é fortalecer o autocuidado de forma realista para cada paciente. Ferramentas como o Plano de Autocuidado Pactuado ajudam usuário e equipe de saúde a estabelecer metas possíveis. “O cuidado com diabetes não envolve apenas medicamento ou exame. Existe uma dimensão comportamental muito importante, porque estamos falando de uma doença diretamente ligada ao estilo de vida”, destaca.

Além do acompanhamento contínuo, a rede utiliza prontuário eletrônico integrado e estratégias de busca ativa para localizar pacientes que interromperam o tratamento ou estão com exames em atraso, fortalecendo o vínculo com as unidades de saúde.

“O grande objetivo é intervir antes que a doença se instale. Mas, caso o paciente desenvolva a condição, atuamos de forma oportuna e programada visando a qualidade de vida e o bem-estar”, conclui a gerente.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

Linha de Cuidados Saúde Prevenção

Compartilhe essa notícia

SEDE CEJAM

Av. da Liberdade, 765, Liberdade, São Paulo, 01503-001
(11) 3469 - 1818

INSTITUTO CEJAM

Av. da Liberdade, 765, Liberdade, São Paulo, 01503-001
(11) 3469 - 1818

Filiada ao Instituto Brasileiro das

Organizações Sociais de Saúde (IBROSS)

CONTATO

11 3469-1818

Segunda à Sexta - 08 às 17 hs

Acesse aqui nossas redes sociais

Revista Tecnico-Cientifica CEJAM Selo Diamante de Ciência Aberta

Diretório Migulim Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT

Selo de Afiliado

Associação Brasileira de Editores Científicos - ABEC Brasil

Grupos de pesquisa certificados pelo Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil Lattes CNPq

Prevenir é viver com qualidade!

Prevenir é viver com qualidade!

O CEJAM quer ouvir você!
O CEJAM quer ouvir você!
Fechar
Escolha o que deseja fazer...
Informação
Denúncias
Elogio
Reclamação
Solicitação
Sugestão
Escolha uma opção...
Colaborador
Paciente
Ética, Complaice e Governça
Proteção de Dados-DPO
Redirecionando...
Voltar...
Contate a equipe de
Proteção de Dados (DPO) do CEJAM
Clique para enviar um e-mail.