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25 de Junho de 2026
As mudanças climáticas deixaram de ser um tema restrito aos debates ambientais e passaram a fazer parte da rotina dos serviços de saúde. Ondas de calor, aumento de doenças respiratórias, insegurança alimentar, enchentes e descarte irregular de resíduos já impactam diretamente a qualidade de vida da população, sobretudo em regiões mais vulneráveis das grandes cidades. Nesse cenário, iniciativas que aproximam saúde pública e sustentabilidade vêm ganhando espaço como estratégias concretas de cuidado territorial.
É nesse contexto que o CEJAM Ambiental estrutura sua atuação. O programa do Instituto CEJAM promove práticas ambientais dentro e fora das unidades de saúde, gerenciadas pelo CEJAM em parceria com o poder público, conectando assistência, educação ambiental, gestão de resíduos, agroecologia e mobilização comunitária em diferentes territórios atendidos pela instituição.
Segundo Michele Assunção, analista de sustentabilidade do Instituto CEJAM, a proposta parte do entendimento de que saúde e meio ambiente são dimensões inseparáveis. “Questões como mudanças climáticas, insegurança alimentar, descarte irregular de resíduos e degradação ambiental também são determinantes de saúde. Por isso, buscamos fortalecer territórios mais resilientes e sustentáveis, promovendo qualidade de vida, conscientização socioambiental e cuidado integral com as comunidades”, afirma.
Na prática, essa integração acontece em diferentes frentes. Dentro das unidades de saúde, as ações incluem gestão adequada de resíduos, eficiência hídrica e energética, compras sustentáveis e redução de emissões. Fora delas, o trabalho avança para iniciativas comunitárias ligadas à agroecologia, economia circular, arborização urbana e educação ambiental.
Em 2025, o CEJAM publicou seu primeiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, contabilizando 4.559 toneladas de CO₂ inventariadas. O levantamento integra uma estratégia mais ampla de mitigação e adaptação climática desenvolvida pela instituição, que também vem implementando ações voltadas à eficiência energética, uso sustentável de recursos e fortalecimento da resiliência das unidades de saúde diante de eventos climáticos extremos.
“A saúde já sente diretamente os impactos das mudanças climáticas, seja pelo aumento de doenças respiratórias, arboviroses, insegurança alimentar ou impactos na saúde mental. Organizações de saúde têm papel fundamental tanto na mitigação quanto na adaptação dos serviços às emergências climáticas”, explica Michele.
Atualmente, o CEJAM Ambiental mantém 57 hortas em funcionamento, que ocupam mais de 1.573 metros quadrados de área produtiva. As ações incluem hortas educativas, comunitárias e o incentivo ao cultivo em pequenos espaços, como quintais, vasos e áreas externas das unidades de saúde.
Os espaços servem como ferramentas de educação alimentar, convivência e promoção de saúde mental. “As hortas fortalecem a relação das pessoas com a alimentação e com o meio ambiente. Também estimulam a autonomia das famílias e a participação coletiva, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social”, diz a gestora.
O plantio de árvores complementa esse trabalho. Ao todo, em 2025, 506 mudas foram plantadas em ações territoriais promovidas pela instituição. A medida auxilia na redução das ilhas de calor, melhoria da qualidade do ar e ampliação de áreas verdes urbanas, fatores diretamente relacionados à saúde da população em grandes centros urbanos.
Outro eixo importante da atuação está na gestão de resíduos e na promoção da economia circular. Desde 2015, o Projeto Devolva-me implantou mais de 700 pontos de coleta em unidades de saúde, comércios e espaços parceiros para o descarte correto de pilhas, baterias, eletroeletrônicos e óleo vegetal usado.
A iniciativa funciona em parceria com organizações especializadas em logística reversa e reciclagem, ampliando o acesso da população a alternativas de descarte ambientalmente adequado. Desde o início do projeto, mais de 44 mil litros de óleo usado, 11 toneladas de pilhas e baterias e 21 toneladas de resíduos eletroeletrônicos foram destinados corretamente.
Além disso, ainda em 2025, mais de 13,7 toneladas de resíduos foram coletadas nas comunidades para reciclagem e outras 366 toneladas de recicláveis receberam destinação adequada dentro das unidades de saúde administradas pela instituição.
Para Michele, o impacto vai além da destinação correta dos materiais. “O projeto incentiva a conscientização da população sobre consumo responsável, economia circular e os impactos ambientais e sanitários do descarte irregular desses resíduos”, afirma.
O trabalho territorial também passa pelo Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), desenvolvido pelo CEJAM na rede assistencial do Jardim Ângela e Capão Redondo, na zona sul da capital paulista. A iniciativa reúne Agentes de Promoção Ambiental e equipes da Estratégia Saúde da Família em ações que envolvem diagnósticos socioambientais, visitas domiciliares e mobilizações comunitárias.
Somente no ano passado, mais de 15 mil visitas socioambientais domiciliares foram realizadas pelos agentes. O programa contribuiu para a revitalização de mais de 20 pontos irregulares de descarte de resíduos, transformando áreas degradadas em espaços de convivência comunitária.
“As visitas proporcionam um cuidado territorializado e permitem identificar vulnerabilidades ambientais e sociais que impactam diretamente a saúde da população”, destaca Michele.
As ações sustentáveis se estendem à alimentação hospitalar. Em 2025, mais de 56 mil refeições sem carne foram servidas nas unidades administradas pelo CEJAM, reduzindo os impactos ambientais associados ao sistema alimentar.
Os números ajudam a dimensionar a abrangência das iniciativas, mas, nos territórios, os efeitos aparecem sobretudo nas mudanças cotidianas: espaços antes degradados convertidos em áreas produtivas, moradores envolvidos em campanhas ambientais, famílias aprendendo a cultivar alimentos e comunidades mais preparadas para lidar com os impactos climáticos.
Ao integrar sustentabilidade à rotina dos serviços de saúde e à vida comunitária, o CEJAM Ambiental amplia a compreensão sobre o que significa promover saúde pública em um contexto de emergência climática e desigualdade urbana.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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