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14 de Setembro de 2026
Foto: Magnific
A vacinação costuma ser associada principalmente à infância, mas a proteção contra doenças imunopreveníveis precisa ser acompanhada durante toda a vida. Na fase adulta, entretanto, é comum que a carteira de vacinação seja esquecida, que doses de reforço sejam adiadas ou que a população não saiba quais imunizantes são indicados para cada faixa etária e condição de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), o Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza atualmente 31 vacinas e contempla diferentes fases da vida, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e grupos específicos.
“A vacinação do adulto muitas vezes é negligenciada porque existe a falsa percepção de que, após a infância, a pessoa já está protegida ou não precisa mais receber doses. Além disso, a rotina profissional, a perda da carteira e a falta de informação contribuem para que reforços e esquemas incompletos sejam esquecidos”, explica a Dra. Tassiana Galvão, infectologista da Santa Casa de São Roque, unidade da prefeitura do município gerenciada pelo CEJAM.
A especialista ressalta que a vacinação deve ser revisada mesmo quando a pessoa não se recorda de todas as doses recebidas. “A ausência da carteira de vacinação não significa que a pessoa precise necessariamente recomeçar todo o esquema. O ideal é procurar uma unidade de saúde, apresentar os registros disponíveis e permitir que um profissional avalie quais doses precisam ser atualizadas. Em muitos casos, é possível dar continuidade ao esquema sem reiniciá-lo”, orienta.
Casos de sarampo reforçam importância da proteção
A manutenção da vacinação também é importante para evitar a reintrodução e a circulação de doenças que já estiveram controladas no país. De acordo com o MS, o Brasil registrou 35 casos de sarampo em 2025. Em 2026, até a 36ª semana epidemiológica foram confirmados 32 casos somente no Estado de São Paulo.
No ano passado, um surto no Tocantins registrou 25 casos. Informações do Ministério da Saúde mostram que 84% deles ocorreram em uma comunidade com baixa cobertura vacinal, na qual nenhum dos indivíduos tinha registro de vacinação contra o sarampo.
“Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam as chances de surgirem bolsões de pessoas suscetíveis. Isso favorece a transmissão de doenças e pode afetar especialmente crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Por isso, vacinar-se também é uma forma de proteger a coletividade”, afirma a médica.
Quais vacinas são para cada fase da vida?
O calendário varia conforme o histórico vacinal, a idade, a profissão, a gestação, a presença de doenças crônicas, viagens e outras condições específicas. Por isso, a avaliação deve ser individualizada.
Adolescentes e jovens
Nessa fase, é importante verificar a vacinação contra HPV, hepatite B, febre amarela, meningocócicas e demais imunizantes previstos no calendário, bem como atualizar doses que eventualmente estejam atrasadas.
A vacina contra o HPV, por exemplo, é recomendada na rotina para crianças e adolescentes, mas pode ser indicada em estratégias específicas para pessoas mais velhas ou grupos prioritários.
Adultos de 25 a 59 anos
O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 prevê, seguindo o histórico vacinal, a atualização das vacinas contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A vacina dupla adulto, conhecida como dT, exige reforços periódicos. Para pessoas com o esquema básico completo, a orientação é uma dose de reforço aos 34 anos e, depois, a cada dez anos, com antecipação para cinco anos em situações de exposição ao risco.
“A vacina contra o tétano é um exemplo de proteção que muitas pessoas deixam de acompanhar. Como a doença pode estar relacionada a ferimentos e não é transmitida de pessoa para pessoa, existe a falsa sensação de que o risco é distante. No entanto, os reforços precisam ser mantidos conforme a orientação do calendário”, explica a Dra. Tassiana.
A tríplice viral também merece atenção. Para adultos de até 29 anos, são indicadas duas doses; entre 30 e 59 anos, uma dose. As recomendações para profissionais de saúde variam, independentemente da idade.
Gestantes
A vacinação deve ser avaliada desde o início do pré-natal. O calendário de 2026 conta com imunizantes contra hepatite B, difteria e tétano, influenza e covid-19, além da dTpa a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez.
A vacina contra o vírus sincicial respiratório está indicada a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger a gestante e o bebê contra complicações como bronquiolite e pneumonia. A vacina contra febre amarela é avaliada apenas em situações excepcionais, considerando o risco epidemiológico e a avaliação do serviço de saúde.
“Antes e durante a gravidez, a atualização vacinal protege a pessoa gestante e contribui para a proteção do bebê. Algumas vacinas estimulam a produção de anticorpos que são transferidos pela placenta e ajudam a reduzir o risco de doenças nos primeiros meses de vida”, explica a infectologista.
Pessoas com 60 anos ou mais
Na terceira idade, além da atualização das vacinas contra hepatite B, difteria, tétano e, em situações específicas, febre amarela e tríplice viral, o calendário informa a vacina contra influenza uma vez por ano e contra covid-19 a cada seis meses.
A vacina pneumocócica está indicada para pessoas não vacinadas que vivem acamadas ou institucionalizadas, além de povos indígenas. Outras recomendações podem ser feitas a partir de avaliação profissional.
“Com o envelhecimento, algumas infecções podem apresentar maior risco de complicações e hospitalização. Manter a vacinação em dia é uma medida de prevenção que contribui para preservar a autonomia, a qualidade de vida e a segurança da pessoa idosa”, afirma a médica.
Como atualizar a carteira de vacinação?
A recomendação é levar a carteira de vacinação, física ou digital, à unidade básica de saúde ou a um serviço de vacinação. Mesmo quem não possui todos os registros deve buscar orientação profissional, informando possíveis vacinas recebidas, doenças prévias, uso de medicamentos, gestação, profissão e planos de viagem.
Não é necessário esperar uma campanha para verificar a situação vacinal. As vacinas indicadas pelo PNI são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com os critérios de cada imunizante.
“A vacinação deve fazer parte da rotina de cuidados, assim como o acompanhamento da pressão arterial, dos exames preventivos e das consultas médicas. Não é preciso esperar uma emergência sanitária ou uma viagem para conferir a carteira. A melhor hora para atualizar a proteção é antes que a doença apareça”, finaliza a Dra. Tassiana.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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